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Museu da Farmacia

O Século XX: O Século Farmacêutico
 

Alcaloides, Glicosídeos e Halogéneos

Através da química alcaloide, os princípios ativos foram extraídos das plantas, que desde sempre constituíram a matéria médica por excelência, da farmácia.A eficácia do princípio ativo, agora concentrado como uma substância química, em vez de disperso numa droga vegetal, significou que a pureza, a potência, a padronização, e a dosagem podiam ser então controlados, de um modo como nunca o tinha sido anteriormente.
 
Os alcaloides e os glicosídeos deram origem a uma revolução farmacêutica de grande projeção. Eles forneceram à terapia das drogas vegetais, uma precisão e um fundamento científico que já carecia. Ao médico e ao farmacêutico, foram-lhes apresentadas uma longa lista de produtos que iriam mudar os hábitos na prescrição médica e as técnicas de composição dos medicamentos. Pouco a pouco, a lista de substâncias ia aumentando, sendo incluídas como potentes e eficazes medicamentos a morfina, a codeína, a quinina, a cocaína, a colquicina, a efedrina, a atropina, a papaverina e a reserpina.
 
O desenvolvimento sintético ou semissintético dos alcaloides, dos glicosídeos e dos halogéneos veio modificar a dependência que existia das drogas vegetais para a fácil acessibilidade das substâncias químicas que tornaram a pureza e a padronização possível. O tempo em que o farmacêutico tinha de conhecer o habitat das plantas medicinais, a parte da planta a utilizar e a época de colheita, foi ultrapassado para sempre. Os novos modelos e os novos conhecimentos vieram possibilitar sem dúvida, novas oportunidades na prescrição, na composição e na dosagem – oportunidades que a medicina e a farmácia nunca antes tinham conhecido.
 
Não foram unicamente as substâncias terapêuticas que sofrerem uma modificação ao longo do século XIX e que operaram uma revolução farmacêutica; a técnica farmacêutica sofreu também uma modificação radical.

Assiste-se aos primeiros avanços na industrialização do medicamento, surgindo as primeiras especialidades farmacêuticas ao longo do século XIX.
 
No campo da farmácia, outra revolução ocorreu, quando a indústria farmacêutica iniciou a criação de substâncias terapêuticas, que não existiam na natureza. O resultado da proliferação de novas drogas médicas, ofereceu um potencial de ajuda em doenças que até aí eram incuráveis; a produção em larga escala, fornece medicamentos virtualmente sem limite.
 
Tudo isto aconteceu enquanto a civilização ocidental estava a passar pelo processo da industrialização; esta revolução farmacêutica foi desta forma um dos aspetos da Revolução Industrial.