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Museu da Farmacia

A Era dos Antibióticos: A Descoberta da Penicilina e da Estreptomicina
 

Em menos de uma década, após a introdução das sulfamidas, a humanidade recebeu mais uma enorme dádiva, sob a forma de penicilina, a primeira de uma nova classe de medicamentos - os antibióticos.
 
O efeito antibiótico de uma substância produzida por um fungo, foi primeiro notado em 1928, por Alexander Fleming (1881-1955), um médico e bacteriologista escocês, que exercia a sua profissão no St. Mary´s Hospital em Londres. O olho treinado reconheceu este efeito numa cultura de bactérias, que tinha sido deixada sem vigilância e em contacto com o ar. De facto, Fleming ao observar a contaminação por um fungo (Penicillium notatum) de uma das suas culturas de estafilococos verificou que o fungo tinha destruído as culturas microbianas. Verificou igualmente que o fungo produzia uma substância solúvel – a penicilina- que era responsável pela destruição de diversas bactérias, entre as quais estafilococos e estreptococos.
 
Porém, a introdução da penicilina na medicina, foi devido ao trabalho de equipa de investigadores da universidade de Oxford, liderado Howard Florey (1898-1968) e que incluía Ernst Boris Chain (1906-1979) e Norman Heatley (1911-2004). Os resultados apresentados eram tão favoráveis que se tornava imperativo produzir penicilina em larga escala. O potencial de tal substância, em tempo de guerra era óbvio. Em 1944 durante a invasão aliada da Europa, já existia penicilina suficiente para tratar as forças inglesas e americanas dos graves ferimentos provocados pela guerra.
 
A penicilina revelou-se imediatamente como a grande inovação terapêutica do século XX, contra as doenças infeciosas. A penicilina também ofereceu resultados muito superiores, no tratamento da meningite, endocardites, infeções por estafilococos e por estreptococos e gonorreia. Em 1943, foi demonstrado que a penicilina podia curar a sífilis e o declínio subsequente desta doença foi espetacular. Espetacular, foi também a taxa de sobrevivência dos soldados feridos durante a II Guerra Mundial, que foram tratados com penicilina – de 95%.
 
O próximo antibiótico a ser descoberto foi a estreptomicina, por Salman Waksman (1888-1973) em 1944, um medicamento derivado não de um fungo, nem de uma bactéria, mas de uma forma intermédia de vida, as actinomicetas. A estreptomicina foi o primeiro medicamento a provar a sua eficácia contra os bacilos patogénicos da tuberculose, que juntamente com outra descoberta mais recente como o ácido para-amino-salicíilico (PAS) em 1946 e a isoniazida (1952), fizeram grandes avanços na luta contra aquela que ficou conhecida como “a grande peste branca”.
 
Apesar de todos os progressos verificados ao longo do século XX na história da farmácia, o homem ainda tem que travar uma difícil batalha para dominar e vencer as bactérias que já vivem na terra há mais de um bilião de anos.